Ando incrivelmente surpresa com a vida...
Há quem leia isso e pense: - Clichê! Título sobre amor e frase otimista sobre a vida, está apaixonada na certa!
Bom, depende do ponto de vista... Tenho me apaixonado muito realmente, mas apenas por momentos, como os impressionistas.
Estive na semana passada no MASP entre uma corrida e outra pela USP num evento que congrega todos os historiadores do país. Muito despretensiosamente subi os dois lances de escadas escuras num dia paradoxalmente ensolarado.
Sombras e mais sombras naqueles degraus me faziam pensar no que eu poderia encontar no interor daquele prédio que me parecia misturar austeridade com modernidade, mas uma modernidade em p&b ou cinza. Há que se perdoar a minha ignorância; eu sequer sabia qual era o acervo do Museu de Arte, quiçá que lá estavam algumas obras de impressionistas.
Ahhh pemitam-me declarar meu amor pelos impressionistas, vem de longa data, desde a disciplina de História da arte na PUCRS em que o tempo era curto e a professora tentava nos passar o maior número de informações possível, serei eternamente grata àquelas aulas, me renderam um amor incondicional às cores puras e às pincelada soltas, ao charme dos momentos, apenas momentos, afinal de contas não será disso que a vida é feita? De momentos? Alguns mais longos, outros muito rápidos, porém apenas momentos...
Depois dessa pequena digressão, necessária para acalentar o meu ego de amante das artes, volto a narrar o meu primeiro encontro, mon premier amour, sim, foi uma relação de amor a que estabeleci com a obra Quatro Bailarinas em Cena de Edgar Degas. O coral das saias das meninas e a preocupação em acertar o movimento da dança me deixou encantada, eu que por tantas vezes fiz aulas de dança e que nunca consegui ser uma verdadeira bailarina, me realizei vendo a beleza daquele momento sabendo que volta e meia me viria à mente a imagem daquela variação mágica de cores que quase me fazia sentir o som da música doce e compassada ao fundo.
Ainda me sentindo inebriada pela maestria de Degas, encontro mais adiante o que meu cérebro não cansava de traduzir aos meus olhos como sendo um espetáculo de beleza ímpar, a obra A Canoa Sobre o Epte de Claude Monet. Peço perdão novamente pelo entusiasmo ufanista, mas foi um sonho realizado, nunca vi um vermelho tão puro em contraste com um branco tão branco e fiquei imaginando quais pensamentos aquela água poderia levar para longe e quais poderia trazer para perto de mim e foram tantos que nem me atreveria citá-los aqui...
Quando acreditei que o melhor que eu poderia ver em termos de arte estava diante dos meus olhos, que lacrimejavam numa emoção solitária, já que me afastei das minhas amigas pra desfrutar daquele momento num furor egoísta profundo, eis que me deparo com As Meninas Cahen d'Anvers de Pierre-Auguste Renoir; ahhh e quantas memórias encontrei naqueles olhares, e quantos suspiros perdidos deixei em frente àquela tela...
Nada se compara à capacidade humana de avaliar uma infinidade de momentos da vida num flash de alguns minutos... só eu sei quantas mágoas deixei presas naqueles vestidos bufantes, sim porque a arte pra mim tem um tom de terapia voluntária e individual e ao me despedir do olhar profundo daquela menina que usava um laço cor de rosa no cabelo pensei comigo mesma: - Tu estás no caminho certo, o caminho do recomeço, na trilha de novos momentos, nada além de momentos, de cores puras e pinceladas soltas, afinal de contas não é disso que a vida é feita? De momentos? ...

4 comentários:
Legal hein, Maitê! Parabéns pela aventura por lá...
Que bom que fez o texto mais leve e pessoal. Pode escrever bem tranquila que a banca não tá por aqui.
abraço
hahahaha Valeu Marcelito, sempre fiel escudeiro! Valeu mesmo! abraço pra ti!
Maitê, teu texto tá muito bom! Leve, solto, meio displicente e belo, como deve ser a vida... e como foram tantas e tantas pinceladas dadas pelos grandes pintores.
beijos grandes
Simmm Gabi, tu lembra das pinceladas nervosas? e das invisíveis??? eu lembro de tooodas!!! hahahaha
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